A Academia Nacional de Medicina, no Rio de Janeiro, ficou repleta de médicos, pesquisadores, profissionais da área da saúde e do jornalismo nesta quarta, dia 23. A data marcou a entrega da 6ª edição do Prêmio Marcos Moraes de Pesquisa e Inovação para o Controle do Câncer e a realização do seminário O futuro do controle do câncer. A programação especial marcou os 35 anos da Fundação do Câncer e contou com a conferência magna de André Carvalho, chefe adjunto da Divisão de Detecção Precoce, Prevenção e Infecções, representando a Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (IARC/OMS), e com o painel Ciência, inovação e humanismo, que reuniu a professora emérita da da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Vivian Rumjanek, o médico Paulo Niemeyer, acadêmico da Academia Nacional de Medicina e presidente do Conselho de Curadores da Fundação, e o médico, professor, escritor e acadêmico José J. Camargo. E a comemoração não poderia ser melhor: o número de trabalhos inscritos triplicaram desde o primeiro ano do evento, houve representantes de todas as regiões do país e a novidade: a inclusão da categoria voltada para jornalistas do setor nesta 6ª edição.
O anúncio dos vencedores das quatro categorias da premiação foi feito após o seminário e debate entre os convidados. Na categoria Promoção da Saúde e Prevenção do Câncer, o primeiro lugar ficou com o trabalho Chatbot para monitoramento e identificação das toxicidades associadas a quimioterapia endovenosa em pacientes adultos com câncer, de Aline Novak e Luciana de Alcantara Nogueira, do Hospital Erasto Gaertner (PR) e da Universidade Federal do Paraná. O segundo lugar foi para Projeto Sustentabilidade do PNCT: ciência, articulação intersetorial e inovação para a prevenção do câncer no Brasil, de Lucas Manoel da Silva Cabral, Erica Cavalcanti Rangel, Vera Lucia Gomes Borges e Maria José Domingues da Silva Giongo, do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) e da Divisão de Controle do Tabagismo/CONPREV do Instituto Nacional de Câncer (INCA). A terceira colocação ficou com Contaminação global por bitucas de cigarro: uma revisão, de Victor Vasques Ribeiro, Lucas Buruaem Moreira, Graziele Grilo, Gabriel Enrique De-la-Torre, Danilo Freitas Rangel e Andre Szklo, de instituições como Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, Universidad San Ignacio de Loyola e INCA.
Na categoria Cuidados Paliativos, o vencedor foi Uma Jornada Ininterrupta de Cuidado – Integração Precoce dos Cuidados Paliativos na Linha de Cuidado Oncológica, de Juliana dos Santos de Oliveira Victor, Cristina Moro e Fabiana Batista de Moura, do Hospital Amaral Carvalho (SP). O segundo lugar ficou com Sensibilização de Oncologistas e Residentes de oncologia para a Comunicação sobre Fim de Vida por meio do Go Wish Cards Game: Uma Inovação para o Cuidado Centrado na Pessoa em Cuidados Paliativos, de Bianca Sakamoto Ribeiro Paiva e mais nove pesquisadores, do Hospital do Amor (SP), INCA e The University of Texas MD Anderson Cancer Center. A terceira colocação foi para PaliPEV: agente digital de inteligência assistencial para o Processo de Enfermagem em cuidados paliativos oncológicos — conforto e segurança, de Alex Sandro de Azeredo Siqueira, Vanessa Gomes da Silva, Renata Carla Nencetti Pereira Rocha, Nathalia de Paula Albuquerque Guimarães, Eliana David da Silva e Vilma Garcia Monteiro, do INCA.
ELDA: Plataforma Inovadora de Medicina de Precisão Funcional para Leucemia Linfóide Aguda Pediátrica, foi o trabalho vencedor na categoria Iniciativas Científicas para o Controle do Câncer. Samara de Sousa Mariano, Leandro Henrique de Paula Assis, Juliana Ronchi Correa, Rafael Renatino Canevarolo, Natacha Azussa Migita, Praneeth Reddy Sudalagunta, Amilcar Cardoso de Azevedo, João Meidanis, Silvia Regina Brandalise, Ariosto Siqueira Silva e José Andres Yunes, do Centro Infantil de Investigações Hematológicas Dr. Domingos A. Boldrini (SP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Moffitt Cancer Center (Flórida) são seus autores. O segundo lugar foi para Células Gigantes Poliplóides Circulantes: Um Potencial Marcador Prognóstico em Pacientes com Carcinoma, de Ludmilla Thomé Domingos Chinen, Jacqueline Torres, Vinicius Calsavara e Patrizia Paterlini Brachot, do Hcor (SP) e Hospital Amaral Carvalho (SP), Universidade Federal de São Paulo, Cedars-Sinai Medical Center (LA) e Rarecells. A terceira colocação ficou com Movimento que Cuida: exercício físico supervisionado durante a hospitalização para quimioterapia como estratégia de cuidado integral, de William de Lima Selles e mais 13 pesquisadores, da Universidade Cidade de São Paulo e Universidade de São Paulo.
Imprensa e Comunicação em Câncer
Criada especialmente para a edição de 2026, a categoria Imprensa e Comunicação em Câncer, cujo objetivo foi reconhecer o papel estratégico da informação de qualidade na conscientização da população e no enfrentamento da doença, teve como vencedora a jornalista Talyta Vespa, com a matéria Sem eficácia contra o câncer, suplementos prometem cura e enganam pacientes, publicada no portal UOL. O segundo lugar foi conquistado por Pedro Nakamura Scharlau Vivas Vieira, do portal O Joio e o Trigo, com a matéria Como deputados travam 70 projetos de lei que poderiam ajudar brasileiros a parar de fumar. A terceira colocação ficou para Marcela Cristina Zimolo Varasquim, da Record TV/AM. A matéria abordou O Câncer nas Mulheres da Amazônia.
Para o diretor executivo da Fundação do Câncer, Luiz Augusto Maltoni, a diversidade dos trabalhos reconhecidos nesta edição demonstra a importância de reunir diferentes áreas do conhecimento no enfrentamento do câncer. “O Prêmio Marcos Moraes representa o nosso compromisso em reconhecer iniciativas que contribuem de forma concreta para o controle do câncer no Brasil. Nesta edição, ampliamos esse olhar ao incluir a comunicação entre as áreas premiadas, porque o conhecimento só produz transformação quando chega à sociedade de forma qualificada. Celebrar esses trabalhos nos 35 anos da Fundação é também reafirmar nosso compromisso com a Ciência, a inovação e com iniciativas que podem melhorar a vida das pessoas”, afirma.
O consultor médico da Fundação do Câncer e coordenador da premiação, Alfredo Scaff, destacou que os trabalhos premiados mostram que o enfrentamento do câncer exige uma atuação ampla, que passa pela prevenção, pela pesquisa, pela qualificação do cuidado e também pela comunicação. “Encontramos iniciativas que incorporam tecnologia, inovação e novas formas de cuidado, mas que têm em comum o compromisso de produzir resultados que possam chegar à prática. É justamente essa capacidade de transformar conhecimento em ação que o Prêmio Marcos Moraes busca valorizar”.
Além de certificado e troféu, os vencedores receberam premiação em dinheiro no valor de R$10 mil. Os nomes dos agraciados também passam a integrar o Painel Marcos Moraes, espaço permanente instalado na sede da Fundação do Câncer que reúne os vencedores de todas as edições do prêmio.


